Terça-feira, 7 de Agosto de 2012

Exposição de coches em Vila Pouca de Aguiar

Exposição de coches em Vila Pouca de Aguiar

 

Uma original exposição realizada nos dias 6,7 e 6 de Julho de 2012 em Vila Pouca de Aguiar -  Capital de Granito.

Uma deslocação á Capital do Granito, proporcionou-me imagens de rara beleza e que habitualmente se encontram na aldeia de Pensalvos, a cerca de dez quilómetros de Vila Pouca de Aguiar, num museu particular e  do qual fazem parte estas relíquias.

 

Naquele tempo….

 

Vila Pouca de Aguiar

10 de Abril de 1854

Eduardo José Gomes de Carvalho, presidente da Câmara faz saber que tendo em atenção ao grande estrago e prejuízo que causam nas ruas e calçadas desta Vila os carros que por ela transitam, pagarão cada carro por cada vez que nas mesmas transitam, não sendo no mesmo dia Quarenta Reis.

 

Mais deliberou que todo o individuo desta Vila que receba em sua casa os referidos carros, os mesmos são obrigados a pagar à Camara os terrenos ocupados.

13 de Julho de 1854

O Presidente da Câmara, Eduardo José Gomes de Carvalho faz saber que, atendendo ao grande estrago e prejuízo que causam nas Ruas e calçadas desta Vila, os carros que por ela transitam, pagará cada carro por cada vez que nas mesmas transitam (não sendo no mesmo dia) a quantia de Oitenta Reis.  

 

 

“Vila Pouca de Aguiar

19 de Setembro de 1854

Por ocasião da aclamação de Sua Majestade El Rei D.Pedro V, os festejos nesta Vila tiveram lugar pelo seguinte modo.

Na madrugada do dia 16, a banda de música percorreu a Vila e ao romper da aurora tocaram os sinos de todas as igrejas e capelas da Vila, juntamente com uma descarga de vinte e um morteiros.

7 de Outubro de 1867

Estando o Presidente da Camara, António de Sousa Guedes e mais vereadores, a fim de formarem a seguinte postura.

Artigo Primeiro. Os donos ou condutores de cada carro que transitam pelas estradas novamente construídas no Concelho, ou por outra qualquer que de futuro se construa e que não tendo a Chapa com 7 centímetros de largura nas rodas e com os pregos embutidos nas mesmas chapas, pagarão por cada vez que por estas estradas transitem uma multa de Dois Mil e Quatro Contos de Reis”

 

  

 

 

 

Charette

 

 

Tilbury

 

 

 

 

 

Chars-à-bancs carro de bancos corridos

 

 

 

Berlina coche de viagem do século XiX

 

 

Phaeton - aranha americana

 

Charrete inglesa

 

 

 

Vitória

 

 

 

Charrete de palhinha 

 

 

 

Vila Pouca de Aguiar

12 de Agosto de 1867

O Presidente da Câmara Municipal António de Sousa Guedes e demais vereadores determinam que os vendedores que venderem os seus géneros nas feiras e mercados desta vila fossem expostos à venda nos seguintes lugares.

Todo o sal se venderá na Praça ou Largo  de S. Domingos.

Que todos os outros géneros, excepto a fruta se vendam desde o sítio de S. Domingos pelo lado sul até à porta da casa do Ex.mo sr Visconde de Santa Marta.

Toda a fruta e com as mesmas condições será vendida somente no sitio do Carvoeiro.

Vila Pouca de Aguiar

20 de Outubro de 1870

O Presidente da Câmara, Martinho José Pereira e demais vereadores deliberaram acerca do arrendamento de uma casa para a instalação de uma Estação Telegraphica nesta vila.

Deliberou arrendar parte da casa de José Maria Pereira, sito na Rua de S. Domingos pela quantia de 15 mil reis anualmente. 

Vila Pouca de Aguiar

1 de Maio de 1871

O Presidente da Câmara, Martinho José Pereira e demais vereadores reuniram a fim de designar o local para edificar a Praça Publica desta Vila.

Deliberou-se que a mesma praça fosse feita em terreno pertencente á Dona Urbana, residente nesta Vila, que se situa no sítio do Quelho, no limite da Vila.

A nova praça terá de comprimento 59 metros e de laugura 29 metros.


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Sábado, 14 de Abril de 2012

Museu do Brinquedo Sintra – terceiro andar

Museu do Brinquedo Sintra – terceiro andar

No terceiro andar é dedicado ás meninas, o sótão das bonecas, onde se encontram as casinhas de bonecas, bonecas de vários materiais (porcelana, celulóide e massa), utensílios domésticos (fogões de lenha, ferros a carvão, serviços de porcelana de vários países), mobiliário miniatura, bonecas japonesas e a boneca Barbie.

 

 

 

Por fim, a oficina de restauro!


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Sexta-feira, 13 de Abril de 2012

Museu do Brinquedo Sintra - segundo andar - Brinquedos Portugueses

Museu do Brinquedo Sintra - segundo andar

 

- Brinquedos em plástico e celulóide

 

- Brinquedos em plástico e celulóide

- Carros de pedais, triciclos e trotinetas

- Aviões

 

Iguais aos que eu brinquei 

 

E por aqui as miniaturas que também estão na minha colecção…

Grandes brincadeiras e outros grandes trabalhos como o feito  com as rodas de um formula igual ao nº 21, um calhambeque revestido com fósforos, seguindo a moda da altura, que ainda se encontra aqui ao pé de mim... 

 

 


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Quinta-feira, 12 de Abril de 2012

Museu do Brinquedo Sintra - segundo andar

No segundo andar do Museu do Brinquedo Sintra, encontram-se expostos:

 

Automóveis Citroën, Jep, Rossignol, Paya, Rico, Schucco, Gama, TCO, Dinky toys, Matchbox, Ingap, Burago, Polistil, Maestro e outros

 

- Soldados de chumbo e massa


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Quarta-feira, 11 de Abril de 2012

Museu do Brinquedo Sintra - primeiro andar

 

Imponente, fantastico, ainda maravilhoso Batman

 

No primeiro andar poderão encontrar-se:

 

- Brinquedos dos séculos III e II A.C.

 

- Brinquedos do século XVII e XIX

 

 

- Comboios, barcos, automóveis Carette, Lehman, Bing e outros.

 

- Penny Toys e Novelty Toys

- Brinquedos espaciais

- Sala de exposições temporárias.


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Terça-feira, 10 de Abril de 2012

Museu do Brinquedo Sintra

O Museu do Brinquedo em Sintra

 

Os brinquedos coleccionados por João Arbués Moreira ao longo de mais de 60 anos, foram legados à Fundação Arbués Moreira e que ao fim de dois anos possibilitou um acordo com a Câmara Municipal de Sintra para cedência do antigo Quartel dos Bombeiros de Sintra, permitindo assim a criação do Museu do Brinquedo de Sintra.

Ao longo de três andares encontramos uma variedade de brinquedos feitos em diversos materiais, oriundos de vários países do mundo, na qual é impossível não encontrar um brinquedo da sua juventude.

Uma colecção da qual ao longo dos anos ouvi falar, estava agora diante dos meus olhos, aberta, magnifica e com todo o seu esplendor

 

 

No rés-do-chão situam-se os serviços de acolhimento do público.

 

 

 


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Terça-feira, 31 de Agosto de 2010

Bolas, boolinhas

 

Chegou o grande dia!!!

Férias!!!

Viva o descanso .

 

Um local de "culto", Baca Belha, na Vila Velha.

 

 

 

Red Bull

 

Águas minero-medicinais e de mesa de Carvalhelhos

 

 

Uma exposição muito original

 

 

Maquete: Salinas naturais de Rio Maior

A água subterrânea proveniente da Serra dos Candeeiros, torna-se sete vezes mais salgada que a água do mar ao encontrar uma jazida de sal-gema formada durante milhares de anos.

 

Centro de diversões

 

 

JBA Falcom Sport, um Kit Car de eleição.

 

Uma jóia

Mosteiro de Santa Cruz,  iniciado em 1131 com o apoio de D. Afonso Henriques .

 

 

Um museu à beira da estrada.

 

Um GT 3 de estrada

 

 

O edifício onde esteve instalado o Estabelecimento Hidroterápico do Seixo, 1893,  na Quinta do Seixo.

 

 

 

O anoitecer de num dia de incendios.

 

 

Flagelo de verão

 

 

 

 

 

 

Bolas

Booolas,  boolliiinhas

olha p´ra elas

fofas e belas

Aqui estão elas

frescas e belas.

Olha as bolinhas

há com creme e sem creme.

A bola que não engorda. Só alarga.

Quentinhas acabadas de chegar.

E assim acabei por me deliciar com mais uma bola de Berlim, bolo tradicional de português, semelhante à Berliner Pfannkuchen alemã.

Bolacha americana, a alegria das crianças e não só

“Olha a bolacha americana!”

 

Olha a

torrada, torradinha

a rainha das bolachas

Alimenta e não engorda

Bolacha americana

Da para hoje  e para amanhã

E se nã comer mais

Dá até para o fim-de-semana

 

Olha a bolacha americana

comes hoje

comes amanhã

e dá para toda a semana.

 

Esta agora recordava a nortenha língua da sogra embora de formato diferente, também é tipo waffer, fina e estaladiça, mas enrolada em forma de cone.

Estas iguarias, encontram-se em vários sítios, mas onde me sabem bem é na praia, depois de um refrescante banhinho.

Como em tantas outras coisas da vida, perdoamos-lhe o mal que fazem pelo bem que sabem...

 

"É frutóóchocolate, olhóó gelado"

 

O vendedor de gelados?.

 

Hááá, esse ainda não o encontrei este ano.

 

E os pirolitos?

 

Só à saída do Liceu e no Inverno, porque neste tempo eram os gelados de gelo.

 

Praia da Vieira, uma antiga praia de pescadores junto á foz do rio Liz.



Esta era a praia da minha juventude, com os seus característicos barcos e um peixe fresco, que a minha mãe tão bem sabia arranjar.

 


Ainda tenho o barquinho que os meus pais, um dia me ofereceram durante uma daquelas quinzenas ali passadas

 

Gostei de ver alguns praticantes de kite surf, num espectáculo de destreza e de coragem.

 


publicado por dinis às 23:13
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Sexta-feira, 1 de Janeiro de 2010

2010


Bom ano 

Feliz 2010

Cada novo amigo que ganhamos no decorrer da vida aperfeiçoa-nos e enriquece-nos, não tanto pelo que nos dá, mas pelo que nos revela de nós mesmos.

Miguel Unamuno

 


publicado por dinis às 02:55
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Domingo, 13 de Dezembro de 2009

Santa Luzia

 

A festa da minha aldeia, Santa Luzia - Vila Nova de Cima

 

Do avô para os netos

 

Num dos mais belos outeiros Vila-realenses, surge na vertente Oeste-Sudoeste uma das mais encantadoras aldeias transmontanas, Vila Nova. 

            Identificadas pela fisionomia do terreno, encontramos dois aglomerados populacionais, Vila Nova de Cima e Vila Nova de Baixo, cujas origens se perdem ao longo dos tempos, na antiga Vila Nova de Panoias. Actualmente quase indistintos, desenvolveram-se ao longo dos anos, pelos numerosos habitantes, atraídos pela amplitude da verdejante paisagem, convidativo sossego e saudável ar puro.

            No alto da sua vistosa colina, encontra-se a capela de Nossa Senhora dos Remédios, local de recolhimento, encanto e mistério.

             Em meados dos anos vinte, uma nova "filha" ocupará para sempre o coração deste povo, acolhendo-A estusiasticamente, numa alegria própria de tão solene acontecimento.

            Como de costume os tradicionais festejos em honra de Santa Luzia, encontravam-se ao cuidado de uma comissão de festas composta por elementos das freguesias de Folhadela e Ermida.

            Representada numa artística imagem, esculpida em pedra, com pouco mais de um metro, revelava com sobriedade as suas remotas origens. Com todo o seu esplendor e rara beleza, escutava todos os que se lhe dirigiam, principalmente aqueles que se encontram na eminência de perder a visão.

          Próximo da casa do guarda da C.P., nas Penelas, encontra-se a sua capela, circundada pela linha de caminho de ferro e dissimulada num jardim de oliveiras, é local de encontro anual a 13 de Dezembro, para uma das mais solenes festividades religiosas.

 

          Inúmeros peregrinos caminhavam entre os diversos socalcos, ao longo de estreitos e sinuosos caminhos, onde a irreverência da rapaziada, se confundida com a alegria e o cuidado dos adultos. Outros, experimentavam pela primeira vez a vertiginosa velocidade do comboio, numa memorável e quantas vezes, única viagem.

          Campos desertos, um frio de enregelar, tudo e todos, aconselhando o calor do lar. Enquanto os dias aguardavam o solstício do Inverno e consequente aproximação das esperadas festividades.

          O dia começara bem cedo principalmente para os mordomos que, tradicionalmente ao raiar do dia, abriam as portas, iniciando as tradicionais festividades. Por entre a penumbra do amanhecer surge a capela, altiva e misteriosa, como que a querer esconder o mistério que para sempre a envolverá. Perante o espanto e a surpresa geral, numerosos devotos, tomam conhecimento, estupefacto, enquanto observam atónito o insólito acontecimento:

          - Porta arrombada e a constatação do inacreditável:

          - Falta da sua venerada santa.

          Várias foram as diligências então tomadas, mas o que é certo é que o mistério nunca se resolveu, contribuindo para as inúmeras histórias que ao longo dos anos alimentaram as mais diversas conversas.

          Nos anos seguintes, Vila Nova e Ermida, passam a celebrar a efeméride, enquanto a primitiva capela se vai deteriorando, com o decorrer dos tempos.

 

          Avô, conta mais uma história…

Filipe, Cristina, Mário e Emanuel Dinis,

                                                                                                          Nené

 

 

 

Publicado no jornal de Folhadela no final do século passado.

Conto de Mário Rodrigues Diniz

 

 

No século XIX o culto a Santa Luzia também era realizado na igreja de Santo António, no Calvário, em Vila Real a par da romaria á capela de sua invocação em Penelas, localidade pertencente na época á freguesia de Folhadela e agora partilhada com a da Ermida.

Com a chegada do caminho-de-ferro a Vila Real a 1 de Abril de 1906, a Linha do Corgo passou a servir a capela na estação de Carrazedo. Naquele que foi o primeiro traçado de via estreita construído e explorado pelo Estado Português.  

 

 

 

Hoje visitei pela primeira vez a velha capela de Santa Luzia nas Penelas que tanto o meu pai falava. Havia uma imagem da Santa, muito valiosa que foi roubada, embora houvesse gente que sabia do seu paradeiro, mas o que é certo . a Santa Luzia nunca mais apareceu e a capela hoje, encontra-se em ruínas.

 

 

Mosteiro de Santa Clara (século XVII)

 

 

 

 

 

Vila Real : Convento da Santa Clara
Edição : Ourivesaria Soares

 

 

 

O mosteiro de Santa Clara, da invocação de Nossa Senhora do Amparo, pertencia à Ordem das Clarissas, também chamadas Claristas, do nome da primeira freira professa, Santa Clara de Assis.

Foi seu instituidor o padre Jerónimo Rodrigues, cónego da colegiada de Nossa Senhora da Oliveira de Guimarães, abade de S. Miguel de Serzedo, e natural de Vila Real.

Segundo a inscrição que se encontrava gravada no interior da sua igreja, o mosteiro teria sido fundado e edificado em 1603. Ora, de acordo com a Rellação e outras fontes, a sua construção iniciou-se em 1602 e, em 1608, foi examinado pelas autoridades locais e considerado apto a receber as primeiras freiras.

Este convento localizava-se ao cimo do Campo do Tabolado, na rua do Carvalho, formando ângulo com a quelha dos Quinchorros.

Jerónimo Rodrigues, ao falecer, dotou o convento com 50 000 réis anuais e exarou no seu testamento uma escritura de instituição do padroado do mosteiro de Santa Clara, com 18 capítulos, os quais foram confirmados pelo arcebispo de Braga, e sentenciados, em 1609, pelo tribunal da Relação bracarense. Em 1721, o mosteiro tinha 65 religiosas   a disposição do fundador, neste caso, tinha sido revogada por breves apostólicos -, e era seu padroeiro Francisco Botelho Monteiro de Lucena.

Em 1855, quando se encontrava habitado por uma só freira, esta casa religiosa passou ao Estado que, no mesmo ano, a cedeu às recolhidas de Nossa Senhora das Dores.

Por fim, em 1926, o mosteiro foi demolido para a construção do paço episcopal da diocese de Vila Real e do seminário de Santa Clara.

"Memórias de Vila Real",   de Fernando de Sousa e Silva Gonçalves

 

 

 

Capela e

imagem de Santa Luzia em Vila Nova no dia da festa

 

 

Hino

 

Salve, salve, Luzia bendita,

Linda Estrela de intenso fulgor,

A guiar quem na terra milita

Pela paz, pelo bem, pelo amor

 

Castro lírio de intenso perfume,

Nos jardins lá do céu a brilhar

Tua vida em amor se resume

Virgem mártir de glória sem par.

Ó Virgem mártir

Santa Luzia

És nossa esperança,

Nossa Alegria.

 

Escuta as preces

Do povo teu

E vem guiar-nos

Da terra ao Céu

Ao Céu ao Céu

Não temeste no mundo a fogueira

Que o tirano a teus pés acendeu

Levantaste bem alto a bandeira

Da pureza, divino troféu.

 

Um milagre quis Deus que viesse

Demonstrar teu valor singular,

Virgem Mártir, escuta esta prece

Nos combates que iremos  travar

Coro

Vila Nova 13 de Dezembro

Im

Verso da estampa de Santa Luzia

 

 

Pitos de Santa Luzia


"Santa Luzia e São Brás

  fazem um par bem bonito

 o santo oferece-lhe a gancha

a santa promete-lhe o pito"

No dia de Santa Luzia, 13 de Dezembro, em Vila Real, manda a tradição que as raparigas ofereçam o pito aos rapazes seus eleitos, para que no dia 3 de Fevereiro, na festa de São Brás, os rapazes, retribuam a oferta com a gancha.

Atenção, o pito é um bolo recheado de doce de abóbora e, a gancha um rebuçado em forma de báculo bispal.

 

Lenda do pito de Santa Luzia

Ao contrário da maioria da doçaria regional que teve berço "conventual" os pitos, que a tradição manda comer no dia de Santa Luzia, tiveram criadora de origem rural e humilde, na aldeia de Vila Nova, em Vila Real, embora de "fábrica" igual à daqueles.

Foi uma moçoila dali que os "inventou" quando foi servir para o Convento de Santa Clara, onde tomaria o hábito depois dum noviciado entre a cozinha e o apoio aos pobres e doentes a que a Ordem, na sua misericórdia e caridade infinitas, dava guarida de hospital.

Maria Ermelinda Correia, de seu nome de baptismo, depois irmã Imaculada de Jesus, era deveras gulosa. Foi este defeito que levou a família a pedir a graça da clausura na esperança de lho transformar em virtude.

Conhecendo-lhe o "pecado", a penitente abstinência que lhe impuseram foi por isso mais forte, e por tal mais redentora, o que lhe agravava o mal e aumentava o padecimento. Na resignação e força da fé lá resistiu às investidas dum estômago ávido de coisas boas e doces. Não tinha acesso às muitas iguarias que se faziam no Convento, pois eram feitas mais para fora e para as mesas de festa das irmãs regulares.

E se no intervalo dum silêncio de "regra" conventual falava de doces, a resposta de advertência era sempre a mesma: "nem vê-los", dizia-lhe a madre superiora.
Na sua inocência, e começando a percorrer os caminhos da Fé e da Doutrina para o noviciado, tornou-se devota acérrima de Santa Luzia, orago dos cegos e padroeira das coisas da vista.
Não se sabe hoje ao certo o tempo e a razão desta arreigada crença. Os documentos consultados não o registam com evidente certeza. Tanto pode ter sido porque a madre superiora via muito mal, capacidade agravada na escuridão da clausura conventual, ou pelo agradecimento da ideia que lhe ocorreu para conseguir satisfazer, nos amargores do pecado, a doçura dos momentos escondidos.

Foi assim que os pitos de Santa Luzia lhe foram consagrados, e como tal testemunha a festa que ainda nos dias de hoje, a 13 de Dezembro, na capela de Vila Nova às portas da cidade, mantém a tradição.
E como apareceram os pitos?

A ainda Ermelinda, aspirante a irmã Imaculada de Jesus, tendo ouvido a história do Milagre das Rosas, ao orar a Santa Luzia teve uma visão que lhe aplacou a alma num milagre de doces esperanças.

Naquela manhã fizera o curativo a uns quantos enfermos. Na maior parte dos casos foram feridas, contusões e inchaços nos olhos. O remédio daquele tempo eram os "pachos de papas de linhaça".

Eram uns quadrados de pano cru onde se colocava a papa, dobrados de pontas para o centro para não verter a poção. A pequena "almofada" era depois colocada, como um penso, no ferimento.

Foi a sua redenção. Correu à cozinha e fez uma massa de farinha, pois a pouco mais tinha acesso, e cortou-a em pequenos quadrados. Não tinha doce mas, tendo guardado religiosamente o cibo de açúcar que lhe cabia em ração, fez uma compota de calondro (abóbora). O tacho ao lume poucas suspeitas levantava. As cascas e sobras só lembravam o pouco uso que tinha no caldo e o muito na engorda do gado. E a massa escurecida pelo ponto do açúcar não mais do que a linhaça da mézinha, que se quer cozida.

Dobrou a massa por cima da compota, à imagem dos "pachos", e cozeu-os no forno sempre quente a qualquer hora do dia. Despachou-se em seguida a escondê-los debaixo do catre da sua cela.

No caminho cruzou-se com a Madre Superiora. No meio da escuridão a abadessa pergunta-lhe o que leva no tabuleiro. A velha senhora ainda empina o nariz para ver se o adivinha pelo cheiro. Diz-se que na falta de um ou outro sentido os restantes se apuram, mas nesta apenas o ouvido era de tísica.

A resposta, depois de um primeiro engasgar, soltou-se logo. Era tudo em nome das duas santas, a da "receita" e a das rosas, imitadas nesta aspiração de ser igual quando se professa e toma hábito e voto:
"São pachos de linhaça Irmã Madre... para os meus doentinhos que amanhã virão".

Dali para a frente, e já Irmã Imaculada de Jesus, fez sempre que podia, houvesse ou não olho tumefacto, gretado, remeloso ou negro de um qualquer sopapo de briga de feira, os "pachos" de abóbora.

Não eram muito agradáveis à vista mas, ao menos, satisfaziam-lhe a gula e calavam na profundeza da alma o pecado que não sentia porque, comendo-os na escuridão da cela e da noite, sabia, porque o tinha ouvido dizer, que "do que não se vê não se peca".

Da evolução dos pachos de abóbora para os pitos que no dia de Santa Luzia se celebram, não rezam as crónicas consultadas, e outras não há que o confirmem ou desmintam.

Vá lá a gente saber o porquê de uma história que, tendo origem tão santa, se vê, talvez na lucobricidade dos Homens, transformada num ritual de trocas e promessas. O pito é dado a quem, de outro santo e outro doce - as ganchas de S. Brás - a deram antes para receber aquele agora.

claudia

 

 

 

E assim os Pitos de Santa Luzia foram lhe consagrados, e como tal testemunha a festa que ainda hoje, a 13 de Dezembro, na capela de Vila Nova de Cima e na Ermida, ainda mantém a tradição.

 

 

Pitos de Santa Luzia


- 150gr farinha de trigo
- 75gr Manteiga sem sal (à temperatura ambiente)
- Água
- Sal refinado
- Doce de abóbora
- Açúcar em pó

Amassar a farinha com a manteiga e uma pitada de sal, delicadamente.
Juntar um pouco de água e amassar. Ir juntando a água até a massa deixar de pegar e ficar algo consistente.
Deixar descansar entre 15 a 20 minutos.

Untar um tabuleiro com um pouco de manteiga e polvilhar com farinha.

Estender a massa numa mesa polvilhada com farinha e corte-as em quadrados com 10cm de lado. No centro dos quadrados coloque uma colher pequena de doce de abóbora. Dobre as pontas para o centro, unindo-as de forma a formar uma trouxa.
Leve a forno já quente, a 160ºC, durante 15 minutos.

Não tosta nem ganha cor.

 

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publicado por dinis às 23:09
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