6º Circuito de Vila Real 1937 categoria corrida
25 de Julho
AS GARNDES CORRIDAS PORTUGUESAS DE AUTOMOBILISMO
O VI Circuito de Vila Real (categoria corrida)
a disputar no próximo dia 25 de Julho tem assegurada a inscrição de grandes «volantes » do estrangeiro e dos melhores corredores.
Criaram já fama as provas automobilísticas de Vila Real que a comissão do circuito e o Automóvel Club de Portugal organizam, não se poupando a esforços e canseiras de toda a ordem, para que elas resultem o melhor acontecimento português da especialidade. Espalham-se pela cidade de Vila Real, ao longo de todo o percurso de sete mil e duzentos metros, no dia da corrida, milhares e milhares de pessoas, que apaixonada e nervosamente seguem o desenrolar da competição, provando que a modalidade tem fervorosos adeptos e muitos simpatizantes.Este movimento populacional e desportivo constitui, afinal de contas, o único prémio da actividade despendida pela organização. Isto lhe basta, porem, além da satisfação do dever cumprido.
Regulamento do Circuito
Há muito que foi distribuído pelos interessados o «Regulamento do VI Circuito de Vila Real » que terá lugar no dia 25 de Julho, pelas 15 horas e trinta minutos.
O circuito oficial tem um perímetro de sete mil e duzentos metros, devendo ser precvorrido trinta vezes, num total de duzentos e desaseis quilómetros. Toda a estrada do circuito se encontra asfaltada – uma verdadeira pista com todas as condições para a aquisição de boas velocidades – tendo-se eliminado o inconveniente da poeira, que tanto desagradava aos concorrentes e ao público.
Apenas são admitidos à prova carros com «carroceries» tipo de corridaou de características semelhantes, com o máximo de dois lugares, previamente aprovados pela Comissão Sportiva do A.C.P.(…)”.
In revista ACP
Jorge de Monte Real - Conde de Monte Real – Jorge Abreu de Mello e Faro
Era um dos nomes pelo qual foi conhecido este extraordinário defensor do desporto automóvel e um grande vencedor nas rampas portugueses.
Apaixonado pelas motos converteu-se ao automobilismo em 1935, ano em foi campeão de rampas na categoria corrida, com um MG. Nesse mesmo ano adquire o Bugatti T 35 de Alfredo Marinho Júnior e com ele obtêm o 2º lugar no Circuito do Estoril, e na primeira corrida realizada na Madeira, a Rampa dos Barreiros foi o vencedor na categoria sport e segundo na categoria corrida.
Foto Revista ACP
Em 1936, participa com o Bugatti no Circuito Internacional de Vila Real onde é 5º e no único circuito de Santarém, foi o vencedor.
Fotos Primeiro Arranque Vasco Calisto
Foto Circuito de Vila Real Anos 30
Em 1937 foi novamente 5º em Vila Real e 3º no Estoril.
Este Bugatti T 35C vermelho e branco pertenceu a Alfredo Marinho Júnior e tinha a matrícula N-12252.
Depois da guerra é novamente Campeão Nacional de Rampas em 1951 e 1952 com um Ford Ardum um automóvel reconstruído nas oficinas Palma e Morgado.
Em 1951 termina em segundo lugar em Vila Real e no ano seguinte abandona.
A primeira experiência internacional em rali surgiu em 1949, como co-piloto de António Herédia em Riley e em 1951 inverte a posição e com Manuel Palma, classifica-se em 2º da geral no Rallye de Monte Carlo. A máquina utilizada foi um Ford 100CV, nada mais que um carro de serviço da Palma & Morgado, cujo prémio não chegou sequer para cobrir as despesas de participação, quanto mais o conserto do carro.
Terminou a sua actividade desportiva por volta de1956 e a última corrida foi na Granja do Marquês em 1968 numa prova para veteranos onde venceu.
Ainda o vamos encontrar por Vila Real como comissário desportivo nos anos sessenta como comissário desportivo.
Foto inserida no livro das corridas de Vila Real 1952
Foto inserida no livro das corridas de Vila Real 1966
Em 1966 no livro das corridas de Vila Real a foto do livro de 1958 foi inserida novamente, com o seguinte comentário:
Conde Monte Real
“Este distinto volante honrou o Circuito de Vila Real com a sua presença pela primeira vez em 1936, disputando as provas de Sport e Corrida, obtendo um notável 2º lugar nesta última prova. (Faltou acrescentar antes de abandonar ou então 5º).
Voltou a participar neste famoso Circuito em 1937, conseguindo, porém, nos anos de 1949 e 1951, as suas mais brilhantes actuações, empolgando o denso público que o aplaudiu com vibrante entusiasmo.
Conde de Monte Real, deixou nesta Região bem assinalada a sua notável presença, caracterizada não só pela finura do seu trato como ainda pelas suas actuações, sendo, por isso, considerado umm ídolo que o povo transmontano jamais esquecerá.”
O cineasta mais antigo do mundo, Manoel de Oliveira , piloto de automóveis.
Em 2008 o seu centenário foi o centro das atenções
Manuel Cândido Pinto de Oliveira nasceu no Porto, a 11, mas foi registado como se tivesse nascido no dia seguinte, 12 de Dezembro de 1908.
Definido como a testemunha de um século (Marceline Ivens), ou um jovem farsante que se faz passar por velho (Michel Piccoli)
Filho do primeiro fabricante de lâmpadas em Portugal. Manoel de Oliveira é o mais velho realizador em actividade no mundo.
O seu primeiro filme “Douro, faina fluvial”, foi financiado pelo seu pai e estreou-se em 1931, mudo e com fotografia de António Mendes, tinha uma duração de dezoito minutos, tendo sido recebido muito mal pela critica nacional : o filme foi assobiado e pateado, levando os críticos estrangeiros presentes a perguntar se em Portugal se aplaudia assobiando e batendo os pés.
O seu ultimo filme “Cristóvão Colombo - O Enigma” é inspirado no livro "Cristovão Colon era Português", de Manuel Luciano da Silva e Sílvia Jorge da Silva. . Embora narre uma história de amor, o filme defende a origem portuguesa de Colombo. Uma tese também perfilhada por Oliveira, que exemplifica com o facto de o navegador "ter dado à maior ilha por ele descoberta, no mar das Antilhas, o nome da sua terra natal, Cuba"
Recentemente rodou uma curta-metragem sobre os Painéis de São Vicente de Fora, uma reflexão pessoal de Manoel de Oliveira sobre os painéis de Nuno Gonçalves, uma das obras-primas da pintura portuguesa do séc. XVI.
Mas foi em 1938 com o documentário – Já se fabricam automóveis em Portugal e exibido recentemente na Exponor que nos mostra um pouco do automóvel em Portugal.
“Aspectos nacionais da indústria de automóveis, modelo Edfor. “O Eduardo Ferreirinha era um génio da mecânica, tinha várias patentes. Foi ele que fez os carros em que eu corri; ao todo, três. Depois, para a família Meneres, representante da Ford no Porto, criou o Edfor: "Ed" de Eduardo, "for" de Ford.
Ainda segundo Manoel de Oliveira, o título em epígrafe foi preferido ao que consta na película – PORTUGAL JÁ FAZ AUTOMÓVEIS – por ser gramaticalmente mais correcto.”
O AutoClássico, apresentou nos dias 29 de Setembro a 1 de Outubro, no ano de 2006, onde uma interessante exposição fotográfica, vários troféus e um (Ford V8 Especial) nos recordou a sua trajectória como piloto de automóveis, nos anos trinta, conjuntamente com o seu irmão Casimiro de Oliveira, ele já uma presença assídua nas lides automobilísticas de então.
Em 1940, casou com Maria Isabel Brandão Carvalhais e abandonou a seu pedido a actividade automobilística.
Algumas classificações
1936 - V Circuito Internacional de Vila Real
2º. - em BMW
1937 - 6°. Circuito Internacional de Vila Real
4º. - em Ford V8 Especial
1937 - Circuito Internacional do Estoril
1º. - em Ford V8 Especial, 30 voltas, 84,300 Km em
49m. 47s à média de 97,415 Km/h
1938 - IV Grande premio da Cidade do rio de Janeiro Gávea - Rio de Janeiro
3º. - (Ford V8 Special)
Em 1938, o Jornal Português faz manchete: "II RAMPA DO GRADIL GANHA POR MANUEL DE OLIVEIRA, NUM CARRO EDFOR".
Depois do centenário o 101º aniversário
Antigo piloto de automóveis, aviador, actor, director, produtor, roteirista, montador, director de fotografia, sonoplasta, domina assim todas as etapas do processo de produção e criação da arte cinematográfica. Outra marca característica sua é a constante actualização, movida por uma curiosidade e lucidez de quem vê o moderno, mas não perde de vista a História, a literatura, o teatro, a filosofia, aliada á uma evidente preocupação para com o futuro da civilização.
Em Portugal já se Fabricam Automóveis, sobre o modelo Edfor, que se procurou comercializar no Porto é um pequeno documentário realizado em 1938.
Já Se Fabricam Automóveis em Portugal - Em Portugal Já Se Fazem Automóveis - 1938
«Aspectos nacionais da indústria de automóveis, modelo Edfor. «O Eduardo Ferreirinha era um génio da mecânica, tinha várias patentes. Foi ele que fez os carros em que corri; ao todo, três. Depois, para a família Meneres, representante da Ford no Porto, criou o Edfor: Ed fr Eduardo, For de Ford. O motor Ford era a base, com um Châssis modificado e uma carrosseria própria. O objectivo era comercializar; mas só fez dois carros». (Manoel de Oliveira)».
Manuel de Oliveira e Vasco Sameiro na homenagem ao último, a 17 de Abril de 1997, em Vila Real, onde visitavam a exposição de fotográfica e de automóveis antigos.
Manoel de Oliveira Piloto de Automóveis -Biografia de Manoel de Oliveira, enquanto piloto de automóveis.

Apelidado de "Campineiro Voador”, foi o primeiro brasileiro a correr na Europa.
Benedito Lopes nasceu em 1904, na Rua José de Alencar, Campinas, SP, Brasil. Filho de um maestro e de uma dona de casa começou a trabalhar como mecânico na sua terra natal.
Naquela época, os mecânicos faziam de tudo, motor, transmissão, travões, etc, era muitas vezes o improviso que viabilizava a manutenção dos carros.
Mecânico reconhecido no Rio de Janeiro, tratava na sua oficina vários clientes entre eles Dante de Bartolomeu.
“Um dia, pegou uma carona com meu pai, ficou impressionado com o jeito como ele dirigia e começou a insistir para que tentasse participar de umas corridas"
A primeira participação foi no 2º GP do Rio de Janeiro de 1934, realizado no circuito citadino da Gávea, conhecida como o "Trampolim do Diabo", onde foi obrigado a abandonar a prova devido a problemas mecânicos com um Ford V 8 por ele adaptado.
Benedito ao volante do Ford V8 profundamente alterado.
No ano seguinte com um Ford especial, sofreu um incidente quando liderava a prova (só lhe faltavam 3 voltas para a vitoria), bateu em Felipe Rueda que encontrava atravessado na Avenida Niemeyer , amigo do futuro vencedor, o argentino Ricardo Carú, que pilotava um Fiat, curiosamente o segundo foi Henrique Lehrfeld em Bugatti T37A, seguido de José Almeida Araújo também em Bugatti T37A.
Na prova do Quilometro Lançado entre o Rio e Petropolis, ao volante de um Ford adaptado, obteve a sua primeira vitoria e foi manchete nos jornais ao alcançar a extraordinária velocidade de 172 Km/h , fantástica para a época. Outros triunfos se seguiram, como o circuito do Chapadão, em Campinas, e o da Quinta da Boa Vista, no Rio, até ser convidado pelo Automóvel Clube de Portugal para participar nas corridas nacionais.
Foto: Hellé-Nice (pesquisa web)
No GP de São Paulo a 12 de julho de 1936, beneficiou com a presença dos italianos Carlo Pintacuda e Attilio Marinoni que corriam pela Alfa Romeo e eram coordenados por Enzo Ferrari.
Foi no entanto ensombrada pelo despiste no final da corrida do Alfa azul da antiga dançarina Marriete Hélène Delange – Hellé-Nice – acrobata e dançarina de casino, de 35 anos de idade e hábil piloto de carros de corrida, naquele que foi o maior acidente automobilístico brasileiro.
Entretanto Benedicto compra o Alfa Romeo acidentado e converte-o num extraordinário bólide de corridas com as peças por ela enviadas da Europa.
Orgulhosamente junto do bólide por si reparado.
Em seguida, o piloto mecânico viajou sozinho para as pistas europeias com o renovado Alfa Romeo de 1932, onde ele era o único elemento da equipa.
Benedito Lopes participou nas provas de Vila Real em 1937, onde obteve um honroso 3º. lugar , com o Alfa Romeo 8C 2300 Monza e no Estoril foi segundo , numa prova em que o vencedor foi o centenário cineasta português Manoel de Oliveira ..
Da direita para a esquerda, o brasileiro Benedito Lopes, Edward Rayson, Manoel de Oliveira, Henrique Lehrfeld, com a cruz de Cristo, e Monte Real
fotos Revista Stadiun
A 4 de Julho 1948, no Iº Circuito Cidade de Petrópolis, sagrou-se vencedor com uma Maseratti de 1500.
A sua última participação, já doente, foi em 1954 com 49 anos, no circuito de rua do Maracanã.
Volta a Campinas para tratamento mas, ainda consegue trabalhar numa oficina especializada em Studebaker e, mais tarde na representação da DKW.
Passou o restante da vida de forma modesta em sua cidade natal, onde viria a falecer em 1989
“Sua carreira, no entanto, foi prejudicada pela má sorte e problemas de saúde. Ele morreu pobre, doente e esquecido em Campinas."
“…Ele encerou a sua carreira aos 52 anos. … Estava rico, mas doente”.
Troféus conquistados por Benedicto, guardados pelo filho Fernando e irmã, assim como muitas das fotos.
Benedicto Lopes, negro, brasileiro, piloto de carro. (Publicado na Folha de São Paulo em 16/11/2008).
“E, 70 anos antes de Lewis Hamilton estrear, pode ter havido um negro nas pistas europeias: Benedicto Lopes. Brasileiro.
A incerteza é dos próprios filhos. Que, sem informações precisas sobre os antepassados, não sabem afirmar ao certo se há sangue africano na família.
"Quando falavam que meu pai era negro, ele brincava que era intriga da oposição. Os avôs maternos eram de Portugal, mas do lado paterno tinha uma caboclada. Era uma mistura só... Mas pode escrever que era negro, sim", diz Valéria Lopes Cavallini, filha de Benedicto, morto em 1989, aos 85 anos.”
Porque será que se encontra esquecido?
O repórter Wagner Nogueira encontra uma explicação.
“è que o nosso campeão era mulato, A cor da pele lhe fechava todas as portas,
In
http://pro-memoria-de-campinas-sp.blogspot.com/2008/11/personagem-benedito-lopes-ou-benedicto.html
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk1611200823.htm
e
http://pandinigp.blogspot.com/2008/11/benedicto-lopes.html#links
Recorte do Jornal Correio Popular, da autoria de Rogério Verzignasse.
2017 Campinas Uma Justa homenagem
A Volta do Chapadão 80 anos depois – Campinas, SP
![]()
In:
https://www.maxicar.com.br/2017/08/a-volta-do-chapadao-80-anos-depois-campinas-sp/
e
https://onibusdecampinas.com.br/corrida-de-carros-antigos-atrai-multidao-no-chapadao/
(...) Os carros foram os equivalentes ao que a época proporcionava, as roupas dos pilotos foram as mesmas(...)
![]()
"(...) Benedicto Lopes morreu em 8 de agosto de 1989 e, por lei municipal, foi instituído o “Dia do Antigomobilista Benedicto Lopes”, sempre no último domingo de julho(...).
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